terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Escolhas......





"O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove."
Fernando Sabino
 
 
Seria assim, não fosse o prazer do acerto, verificado na constância daquilo que se vive em razão da escolha .....
 
Diriam alguns que a coisa deriva de sorte e que aqueles cinquenta por cento que poderiam constituir o "dar errado" passaram tangente mas não atingiram ninguém.....
 
E como é bom saber que as minhas escolhas, algumas casuais e outras muito bem pensadas, deram certíssimo.
 
No tudo, porém, incomoda bastante verificar que não temos tempo suficiente para viver intensamente os bons frutos daquilo escolhido.
 
Tudo passa muito rápido e quando nos damos conta a denúncia materializada pelas mechas embranquecidas dos cabelos anuncia que, na prática, o tempo esgotou.
 
 Mas, a felicidade é resultado de um conjunto, o que possibilita minha segura afirmação de que não ressinto dos caminhos não escolhidos.....

Aqueles os quais não trilhei eram absolutamente incertos e não se habilitam ao merecimento de havê-los eu nessa coisa retrô de nostalgia.
 
Sou feliz assim, nessa maneira complicada de enxergar os resultados.
 
Basta-me saber que, pelo menos, pude escolher o que viver.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Vida......



Tirando onda, curtindo as ondas, a areia e o mar.......
Nada mais relaxante para a mente e abastecedor das inspirações.....
Bons livros, claro, levando à introspecção necessária a analisar o que me cerca....
Assistir com serenidade o caminhar dos filhos no processo de crescimento, enquanto os sinais no corpo anunciam que a trilha está aí mesmo para ser percorrida...
Relação íntima do ser com a natureza, implicando equilíbrio saudável....
É isso aí, gente!!!

Nobre e incalculável terapia.....
O melhor negócio!!!!

domingo, 11 de novembro de 2012

Há um segundo......

 
 
O tempo, inexorável, como diziam alguns poetas, incompreensível em suas velocidades, que insistem jogar e brincar com as sensações que nos inundam, marca e dita os inícios e muitos fins, estes desconhecidos.

Ontem, como se fosse há meio século, nessa gangorra de inversões, quando meio século também terminou ontem, no final da noite.

Embora as clãs denunciem alguma coisa muito extensa, somos tomados pelas lembranças recentes e delírios das nossas investidas, embora todas elas nos pareçam meio aglutinadas em só um bloco comprimido dessa linha temporal.

Prisioneiros, enfim, é o que somos do tempo!

Realidade absolutamente triste para aqueles que se decepcionarão com o fato da vida ser, infelizmente, curtíssima.

Não me surpreende a tal velocidade, porque conheço ser apenas uma métrica desarrazoada de quem imprime essa brincadeira.

Vejo, claramente, que somos um mesmo bloco, entrincheirados nas nossas falsas percepções de que quinhentos anos sejam maior do que um segundo.

Há um segundo as caravelas aportaram Porto Seguro, diriam os navegadores se ainda por aqui estivessem.
 
Sentiriam, até, o fragor da verdejante vegetação da borda litorânea, bem como o amainar dos pelos do corpo pela brisa daquelas manhãs, quando aqui avistaram.
 
Foi há um segundo, embora há quinhentos anos!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Paradise

A madrugada entorpece, fazendo-nos alçar vôos aos recônditos prazerosos que somente nos sonhos nos é possível sentir seus fragores, não possíveis de esclarecer em palavras...

Falta o sono e, aí, numa espécie de vingança, face minha orgânica revolta em não descansar o corpo, atrevo-me expulsar as palavras.

Arrisco, todavia, declarando minha satisfação em viajar pelos becos e vielas do meu pensamento, às vezes imprimindo razão de subida acentuada, rumo aos campos que à minha mente se fazem reais...

Sinto a brisa morna percorrer minha alma e encho-me do prazer que a tela perfeita proporciona.

Estanca o momento, alimentado pelo passado e refém em relação ao futuro.

Eis-me aqui, incontinentemente acordado, porquanto intimamente satisfeito...
Eis-me aqui, aguardando pacientemente a proximidade dos próximos instantes...








domingo, 28 de agosto de 2011

Medo.




De tudo um pouco e nada ao mesmo tempo, quando se olha para o passado e conclui que tudo e nada seriam a mesma coisa.

Essa coisa da experiência, o passar etapas, pode ser significante a depender de como a vida nos figura aos olhos e mente.

Conhecemos muitas pessoas, muitos anseios e projetos individuais, tudo fonte certeira de satisfações, sem dar crédito, porém, às decepções factíveis no processo.

Temo as certezas e verdades absolutas, porque corro risco enorme de decepções ao longo ou ao final do percurso.

Vejo crentes, amantes, pais, filhos e outros que afirmam categoricamente satisfeitos com o que acham e crêem em suas vidas.

Mas, como temo tudo isso!

Vejo, ao mesmo tempo, pessoas amargando decepções, quando eram absolutas em certezas mas que, em dado instante, se viram meio a novas verdades mais consistentes.

Temo, sim, estar muito certo de tudo, às vezes, e me espanto, porque sei da decepção terrivelmente avassaladora.

Mesmo assim sigo em frente, mesmo com todos esses temores.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Autoridade....limites...a falta deles.


Durante esses quarenta e muitos anos de permanência neste planeta, pude assistir à involução humana com respeito ao senso de limites e autoridade.

Refiro-me às situações em geral em que ambos substantivos tenham de ser usados, a fim de que seja possível harmonizar convivências.

De vez em quando pego-me falando sobre a questão da falta de limites das pessoas e de como não conseguem visualizar a autoridade dos pais, professores e outros dedicados à doutrinar, direção a caminhos comprovadamente corretos.

Neste mês de novembro de 2010, alguns episódios evidenciaram o centro desse problema, tornados públicos com colaboração da mídia, provavelmente por terem ocorrido na principal avenida da maior cidade da América Latina.

Alguns adolescentes, comandados por um adulto, agrediram gratuitamente um rapaz, utilizando de uma lâmpada fluorescente, expondo suas idiotices e imbecilidades cimentadas pelo terrível preconceito homofóbico.

Poucos dias antes desse episódio, um jovem falecera, devido a uma agressão sofrida no interior da Livraria Cultura, situada na mesma avenida em que aconteceu a agressão com a tal lâmpada.

Analisando ambos os casos, torna fácil abstrair que há um problema relacionado aos limites individuais, ou melhor, ao não reconhecimento desses.

A mãe de um dos agressores afirmaria, logo após, que “era uma questão sem importância...uma briguinha de adolescentes que voltavam de uma balada!”

Eis, pois, um sinal de que a coisa começa, via-de-regra, dentro de casa.

Essa pouca importância dada aos valores fundamentais, instigado por condutas tal qual a dessa “mãe”, potencializa condutas marginais de desrespeito em geral, numa complicada ação marcada por anarquias sem causa.

Recentemente, um projeto de lei foi alçado ao Congresso Nacional, com fito de gerenciar (pasmem) as palmadas paternas por sobre os filhos.

Ora, onde está a relação entre a palmada que desperta o senso de autoridade dos pais e a falta de amor em relação a esses, argumentação exaustivamente trazida à baila por esses condutores de programas globais de receitas de bolos da TV?

Não sei! Mas, posso apostar que os marginais da Paulista, dos dois casos (avenida e livraria), talvez não tenham tomado as palmadas que por ora lhe fazem muita falta.

Agora, as tomarão lá dentro do calabouço!

E, pior, com muito mais vigor.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Calem a Boca, Nordestinos!


Fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!
Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…

Ah! Nordestinos…
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!
Me chamo Neiry, sou paraibana, nordestina, e garanto, leiam acima e descubram de onde vem parte do nosso orgulho, de nossa cultura, de nossa história, antes de falar qualquer coisa!abraço a todos!


(Por José Barbosa Júnior)